Informação, ferramenta da revolução.
Muitas mentiras foram vendidas por essa mídia pelega, e o são até hoje nos lançando a um turbilhão de conseqüências que redundarão e já redundaram em perdas de diversos tipos. Entre elas, uma perda silenciosa, porém contundente é a limitação da soberania, o poder concedido ao Estado de fazer valer suas decisões dentro de seu território. A inserção de capital estrangeiro para criação de componentes de mídia no país, mesmo sendo proibida por legislação específica, foi determinante para que “peixes podres” fossem vendidos como “filés” ao povo brasileiro. Entre estas inverdades travestidas de verdade está o apoio aos processos de privatização das estatais como no sistema de telecomunicações brasileiro privatizado mesmo sabendo-se de valor extremamente estratégico. O sistema de geração de energia de valor inestimável assim como o de exploração de petróleo, importantes não só por serem geradores de crescimento, mas também por determinarem soberania territorial.
Destes logros enfiados goela abaixo do cidadão, um começa a cair por terra. A globalização cuja promessa era proporcionar o fluxo de riquezas dos mais ricos para os pobres se mostrou tão ineficaz quanto desastrosa e pasmem, para os próprios países centrais, geradores das multinacionais onde cresce o desemprego. Prova disso são os jovens franceses se manifestando contra a flexibilização das leis trabalhistas criada como paliativo pelo governo para empregar, mesmo existindo multinacionais francesas instaladas em vários pontos do mundo que não a França, empregos que poderiam abarcar os jovens locais. Em nome dos lucros, multinacionais se instalam onde houver mais flexibilidade fiscal e trabalhista, não tem bandeiras nem nacionalidade, com a permissão dos governos nacionais receptores utilizam a infra-estrutura do país e se dão ao luxo de sequer pagar alguns impostos que com isenções em muitos casos criminosas acabam por sepultar as possibilidades de existência de indústria nacional competitiva, usando a desculpa da criação de empregos que nada mais são que sub empregos, onde garantia de empregabilidade independe de competência e sim de barateamento de custos.
A problemática da globalização vem há tempos sendo discutida nos mais diversos fóruns internacionais e tal termo até caiu em desuso, a certeza de que esta deve se dar de forma mais humana já é lugar comum. O grande desafio é como reverter os efeitos corrosivos que a globalização já deixou nas sociedades, eventos como o do MST destruindo plantações e projetos científicos e até mesmo as declarações de seu líder sobre o novo foco de suas ações, contra o capital internacional na forma das multinacionais, tendem a ficar cada vez mais corriqueiros.
Violência não se justifica, mas infelizmente se explica, o homem como qualquer animal quando acuado e furtado de suas necessidades básicas se defende com as armas que possui, e a força normalmente é um recurso disponível, principalmente para aqueles que julgam ou mesmo não tem nada a perder. Não se deve julgar atos individuais, nada é isolado, tudo tem causa e conseqüência. As atuais relações desiguais geram e gerarão violências ainda maiores, mas não apenas isso, o cerceamento do acesso à informação fidedigna relega às pessoas poucas ferramentas para a defesa dos seus interesses, neste contexto a culpa pertence a toda a sociedade, a busca de uma mídia eficiente e imparcial é necessária para que de forma ordeira e democrática, sem violência, o cidadão consciente de seus direitos não precise apelar para a ilegalidade a fim de fazer vale-los.
“A informação é ferramenta da revolução, sem esta, a indignação é letra morta”.
willnogueira@hotmail.com
willnogueira.blogspot.com

1 Comments:
E a informação tem de começar pela criança, por isso a minha luta é por eles, combatendo esta escola que nada contribui para formar seres pensantes... E, ao contrário, exclui os que mais precisam de informação e de oportunidades.
Parabéns pela qualidade do blog.
Um abraço.
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