A mecânica da economia.
Não tenho com estas curtas linhas a intenção de elucidar ou justificar motivações para a política econômica vigente, até porque, Maria da Conceição Tavares, ícone da ciência sobre a qual discorro letras aqui disse numa publicação recente de grande circulação: “Economista não consegue explicar certas coisas nem para a própria mãe”. Mesmo assim, me sinto na obrigação de usar este espaço como um mea culpa, mea máxima culpa, pois igual à quase todo mundo, fui um dos primeiros a apedrejar o governo Lula e cuspir na taxa de crescimento ínfima do ano de 2005, divulgada pelos meios de comunicação. A verdade, é que não se pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos, é uma velha máxima, mas cabe muito bem neste contexto.
A economia (do grego oikos= casa e nomos= administração), não se faz com um estalar de dedos, sacrifícios são necessários. Aproveitando a etimologia da palavra exposta e avaliando o estado como uma casa administrada por uma família fica simples entender que qualquer tentativa de melhoria da vida dos que residem nela deve passar necessariamente por um saneamento contábil que na realidade estatal só será efetivo se realizado em longo prazo. Voltando à visão macro, percebemos grandes vitórias na economia que precisam ser expostas como o pagamento dos 15 milhões ao FMI que nos livrou do garrote por pelo menos dez anos e diminuiu a dívida externa do país em 40%, uma inflação controlada e até alguma deflação o que beneficia principalmente as camadas mais pobres da população. Ainda sou um crítico da postura ética do atual governo, mas diferentemente do que fui acusado, sei que o PT não inaugurou a corrupção no Brasil, porém, fui educado para saber que a repetição do ilícito jamais tornará sua prática lícita e que honestidade não é virtude, e sim, obrigação. Mas o que francamente me irrita é ouvir o Tucanato e a Frente Liberalista acusando, como que indivíduos de alvíssima reputação e esquecendo-se do esquema de 1998 do PSDB que parece ter sido copiado e modificado de nome para “mensalão” do PT, da compra escandalosa de votos para aprovação da reeleição com o então presidente FHC, mas, filme de horror mesmo é ver ACM Neto falar de ética política, o que sequer merece comentários. Na área econômica o governo do PSDB nos deixou uma herança maldita de empresas privatizadas cujo dinheiro ninguém sabe onde foi parar, os juros de que tanto eles mesmos reclamam eram até mais altos, o endividamento público e privado altíssimos e uma moeda maquiada de forte, mas sem lastro efetivo o que sem planejamento em longo prazo demonstraria toda sua podridão, porém, isso só aconteceria depois de pilhado todo o patrimônio Estatal por meio das privatizações.
Não podemos crer que o abismo de desigualdades de dimensões continentais, existente em nosso país vai ser resolvido do dia para a noite, reformas estruturais são necessárias e numa democracia, onde o radicalismo que fere os direitos individuais representa um passo atrás isso demora a ser feito, mas acima de tudo o neoliberalismo do PSDB e PFL não pode ser uma opção, ele que mesmo depois de tanto tempo ainda representa as oligarquias e seus desejos mesquinhos e egoístas.
O PT não é o governo dos sonhos dos brasileiros e acredito que nenhum jamais o será, pois como pessoas e como classes somos diferentes tendo assim necessidades distintas. Neste ínterim um governo que ao menos esteja interessado em trazer algum benefício social para os menos favorecidos, mesmo que se pague algum preço que não estivesse incluído no orçamento já vale o esforço. Mesmo que os analistas econômicos torçam o nariz e sempre encontrem aquele problema escondido, lá no meio do motor, cuja alcunha nos é tão estranha quanto sua função no conjunto, parece aquela peça que o mecânico sempre troca, e a gente nunca sabe porque. A desconhecida rebimboca da parafuseta.
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